A Bloomberg revelou, em reportagem publicada em 11 de setembro de 2026, que a Sony/PlayStation encerrou a parceria com a Kojima Productions no desenvolvimento de “Physint”, o próximo jogo de ação furtiva de Hideo Kojima — o criador de Metal Gear Solid e Death Stranding. A notícia teve repercussão ampla e imediata na imprensa de games, com matérias de GameSpot, TechSpot, Gizmodo, Vice, Pure Xbox, Forbes e Aftermath no mesmo dia. O desfecho, no entanto, já estava em andamento havia meses: a Microsoft confirmou que a Xbox assumiu o papel de nova publicadora do projeto, que segue em desenvolvimento sob esse novo guarda-chuva.

Um cancelamento que já durava três meses em segredo

Segundo a reportagem, a Sony na verdade já havia cancelado o acordo com a Kojima Productions em meados de junho de 2026 — o fato só veio a público agora, quase três meses depois. Nesse intervalo, a Kojima Productions ficou sem publicadora para um projeto que já estava em desenvolvimento havia anos, e passou o período buscando um novo parceiro até fechar com a Xbox. O próprio Hideo Kojima confirmou publicamente a versão de que recebeu, “inesperadamente”, o aviso de que a PlayStation Studios cancelaria o Physint.

2015

Hideo Kojima rompe com a Konami e funda a Kojima Productions, iniciando uma relação de quase exclusividade com a PlayStation que passa a incluir Death Stranding e sua sequência.

Meados de junho de 2026

A Sony cancela internamente o acordo de desenvolvimento do Physint com a Kojima Productions — decisão mantida em sigilo por quase três meses.

Junho a setembro de 2026

A Kojima Productions passa cerca de três meses buscando um novo parceiro de publicação para o projeto já em andamento.

10-11 de setembro de 2026

A Bloomberg revela o cancelamento e a nova parceria; Xbox confirma que assume como publicadora do Physint, e Kojima confirma a versão dos fatos publicamente.

Orçamento estourado, prazos e a lição de Death Stranding

De acordo com a Bloomberg, a Sony justificou o cancelamento citando três fatores: o projeto já havia estourado prazos e estava a caminho de superar bastante o orçamento previsto, mesmo estando ainda a anos do lançamento; a expectativa de lucratividade não fechava as contas, com a própria PlayStation citando que Death Stranding e sua sequência — os dois jogos anteriores de Kojima, ambos exclusivos de PlayStation — tiveram desempenho comercial abaixo do esperado; e, por fim, a Sony teria ficado reticente em investir centenas de milhões de dólares (facilmente mais de R$ 1 bilhão, considerando a cotação comercial atual de cerca de R$ 5,10 por dólar) em outro jogo que não ficaria permanentemente exclusivo do seu próprio hardware.

💡 O que é o Physint, afinal

Physint é o nome do projeto mais recente de Hideo Kojima depois de Death Stranding — um jogo de ação furtiva (o gênero que consagrou Kojima com a franquia Metal Gear Solid, em que o objetivo é evitar confronto direto e passar despercebido pelos inimigos) anunciado ainda sem data de lançamento. Os detalhes de jogabilidade seguem majoritariamente reservados, mas o projeto é tratado pela imprensa como o retorno mais direto de Kojima ao gênero que o tornou famoso.

Vale lembrar que a própria Kojima Productions já havia trabalhado com material da coleção Metal Gear Solid recentemente — a próxima geração de consoles, incluindo o Xbox de nova geração, é justamente o pano de fundo estratégico dessa mudança: a Microsoft vem, ao mesmo tempo, tentando se posicionar como parceira preferencial de estúdios e criadores de peso justamente no período em que negocia como vai competir na próxima leva de hardware.

A PlayStation, segundo a Bloomberg, não queria investir centenas de milhões de dólares em outro jogo que não ficaria exclusivo do seu hardware para sempre.

Kojima muda de lado — e a Sony “queima boa vontade” com os jogadores

O ângulo mais comentado pela imprensa especializada não é só o cancelamento em si, mas o que ele revela sobre a disposição da Sony de continuar investindo em jogos autorais e arriscados de grandes nomes da indústria — parte da cobertura descreveu o episódio como a Sony “queimando a pouca boa vontade que ainda tinha com os jogadores”, numa referência a um histórico recente de decisões impopulares da empresa no mercado de games. Do outro lado, a mudança marca uma guinada notável: Kojima, até então quase sinônimo de exclusividade PlayStation desde 2015, passa a ter dois projetos em desenvolvimento em parceria com a Xbox — não apenas o Physint, mas também um segundo trabalho ainda não detalhado publicamente.

Para a Microsoft, o movimento reforça uma estratégia mais ampla de atrair nomes de peso para o ecossistema Xbox justamente no momento em que a empresa também trabalha no desenvolvimento da próxima geração de consoles — script que já vem sendo seguido em outras frentes do catálogo da Xbox Game Studios.

Veredito: o maior perdedor imediato é a imagem da Sony, não o jogo

Para quem só quer saber se o Physint ainda vai sair: sim, o projeto segue vivo e em desenvolvimento, agora sob a publicação da Xbox — a mudança de publicadora não significa cancelamento do jogo em si, só troca de quem banca e distribui.

O dado mais relevante desta história é estratégico: a Sony sinalizou publicamente que está disposta a abrir mão de uma relação de mais de dez anos com um dos criadores mais premiados e midiáticos da indústria, por conta de orçamento e de uma cláusula de exclusividade que ela mesma queria manter rígida. Vale acompanhar se esse tipo de decisão vai se repetir com outros estúdios parceiros da PlayStation nos próximos meses — e se a Xbox vai conseguir transformar essa aposta em nomes de peso em vantagem real na próxima geração de consoles.

Fontes: Bloomberg (11/09/2026), GameSpot, TechSpot, Gizmodo, Vice, Pure Xbox, Forbes, Aftermath, Windows Central, Push Square, TweakTown (checagem em 12/09/2026).